sábado, 21 de maio de 2016

Capítulo XII

XII
Meus calcanhares me impeliam a partir. Puxavam da terra os dedos dos pés como se arrancassem as raízes de uma árvore. O queixo se erguia em direção ao horizonte. Os olhos não mais miravam o que é rasteiro.
Não era hora de parar. Não era hora de converter-me em lugar. Não era hora de envelhecer. Não era hora de tornar-me um esconderijo do tempo. Meu coração gritava. Meu cérebro me convencia. Minha vontade me nutria.
Falei ao Velho que partiria.
Viajante, lembra que prometeste assumir a propriedade quando eu deixar de existir...
Parti.
O nariz seria minha bússola.
Parti.
Prometendo, porém, que seria uma partida provisória.





Nenhum comentário:

Postar um comentário