terça-feira, 21 de julho de 2015

Capítulo V

V
Podeis dizer que me engano, que falo da ilusão de amor como se fosse um amor verdadeiro... Que estou a confundir as duas coisas... Que a ilusão de amor, essa sim, corrompe... Mas não o amor, o amor verdadeiro engrandece, liberta, aperfeiçoa...
Talvez tenhais razão... Talvez esteja eu, hoje, simplesmente envolto em trevas, trevas que momentaneamente estão a me cegar e que se hão de dissipar... Algum dia... Talvez ainda hoje... Sim, talvez alguma névoa esteja a me confundir, a me enganar, a distorcer minha visão das coisas... Mas havereis de concordar comigo se eu afirmar que as trevas do desencanto são as mesmas, quer envolvam o amor, quer a ilusão... Se eu vos afirmar que desencanto é desencanto, não importando o que o motive... Havereis de concordar comigo, também, se eu vos afirmar que trevas são trevas, que escuridão é escuridão, não seleciona aquilo que envolve, se é amor ou ilusão... Simplesmente se instala, englobando todas as coisas, incapacitando todos os olhos... E que o desencanto é capaz de infiltrar-se em ambos, no amor e na ilusão de amor...
Talvez estejais certos, e eu esteja confundindo o amor com outra coisa...
Mas poucos são os que conseguem distinguir o amor verdadeiro de uma ilusão de amor, seja sábio ou estúpido, seja ou não senhor sobre a própria vontade, seja estando por dentro, seja estando por fora... E eu, hoje, não estou entre esses poucos... Sequer me sinto capaz de estar entre eles... Talvez só por hoje, dure esse hoje o que durar...
Não me faleis de amanhãs. Ainda não os quero. Há labirintos internos que ainda quero percorrer.




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