sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Capítulo IX

IX
Deve ser triste ter sido feito somente para depois... Existir para o depois... Para o que ainda não é...
Deve ser triste...
Aquilo que, mesmo já feito, ainda espera por feitio...
E espera, espera, espera...
Para depois...
Mas agora só espera, espera, espera...
Não será isso desprezar o que já está feito?
Espera, espera, espera...
Não será isso um mau uso do que já está pronto?
Espera, espera, espera...
Para depois...
Depois entenderás...
Depois conhecerás a Verdade...
Depois poderás ver...
Depois verás quem tem razão...
Depois compreenderás...
Depois... Sempre depois...
Haverá um depois...?
E, se houver, não terá sido triste ter sido feito somente para esse depois?
Que deus estranho, esse que cultuas...! Esse, que acreditas ter te criado para depois...! Que te prometeste a vida para depois da vida...!
Já não a tens?
Não, dizes que é para depois...
Depois do quê?
Depois de consumir-se o que já tens?
Sim, depois... Tua vida é para depois... Por isso não compreendes o que falo... Por isso renegas o que digo... Vives no depois... E o agora não pode ser percebido pelo que é para depois... O agora sequer pode ajuntar-se ao depois, a menos que seja na espera...
E tu esperas... Para depois...
Tu me condenas, em complacência ou ódio, mas me condenas... Dizes que depois entenderei... Que depois conhecerei a Verdade... Que depois poderei ver... Que depois verei quem tem razão... Que depois compreenderei... Tudo em ti é pra depois... Tudo de ti é pra depois...
Mas o que há depois de tudo? O que pode haver depois do tudo, senão o nada?
Ah...! Tu me contestas...! Dizes que o que tens ainda não é tudo...! Que ainda falta o que está por vir...! Que falta o que virá depois...!
Depois...
Vejo que ainda és só espera.
Deve ser triste ter sido feito para depois...





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